• Amanda Rossato

6 em cada 10 porto-alegrenses foram afetados financeiramente após pandemia de coronavírus

Atualizado: Jun 19




A disseminação do coronavírus (COVID-19) pelo mundo levou a economia a uma nova recessão. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a crise financeira causada na economia global é a pior desde a grande depressão. E em Porto Alegre não é diferente. As medidas de isolamento social trouxeram consequências para o mercado de trabalho e o orçamento das famílias.


De acordo com a pesquisa “Impactos financeiros x Coronavírus”, realizada pelo Instituto de Estudos de Protesto do Rio Grande do Sul (IEPRO-RS), 6 em cada 10 porto-alegrenses tiveram a vida financeira afetada pelos impactos gerados pela Covid-19. Para 39,75%, a situação foi ainda mais alarmante: consideram que os seus recursos foram muito afetados, após a chegada da doença no Estado.


Na Capital gaúcha, 46,5% das famílias foram impactadas diretamente com perda de emprego ou diminuição da renda. Mais de um terço desse grupo mora com alguém que teve o salário reduzido e 15% com uma pessoa que ficou desempregada.

Impacto na remuneração


A flexibilização de regras trabalhistas como alternativa para manter o emprego de milhões de brasileiros trouxe impactos na remuneração. A aprovação da Medida Provisória 936/2020 autorizou a redução salarial e suspensão do contrato de trabalho durante o estado de calamidade pública no país. Devido à essa flexibilização, cerca de 48,37% dos porto-alegrenses com carteira assinada informaram que tiveram uma diminuição no salário. A maioria desses (quase 45%) com redução de salário entre 11% e 30%. Em 32,61% dos casos a mudança ocorreu porque houve redução da jornada e, para quase 15%, por conta da suspensão do contrato de trabalho.


A pesquisa mostra, ainda, que 20% dos entrevistados perderam o emprego em função da crise ocasionada pela pandemia. Conforme o presidente do Instituto, Romário Mezzari, “Diversos setores da economia sofreram uma brusca redução no faturamento e, em outros casos, com a impossibilidade de abrir o negócio, a receita foi praticamente zerada. O desemprego é uma consequência da redução da oferta e também da queda da demanda, pois os consumidores ainda não se sentem confiantes para gastar como antes”, analisa Mezzari.


No caso dos empreendedores, autônomos e informais, a pandemia trouxe uma dificuldade financeira ainda mais crítica: 9 em cada 10 tiveram diminuição na renda. Para 45% dos entrevistados, houve mais de 50% na redução da renda, em comparação com o que faturavam antes do coronavírus.


O autônomo André Monteiro, de 44 anos, trabalha com vendas de lanches em um terminal na zona leste de Porto Alegre e teve que fechar a sua base de sustento por 60 dias. "Eu, quando decretaram o isolamento, fazia cinco meses que tinha aberto a minha carrocinha de cachorro-quente e tive que fechá-la. Comecei a vender de casa para vizinhos e conhecidos nos finais de semana, mesmo assim não consegui faturar o suficiente para pagar as minhas contas. Agora foi liberado para voltarmos, mas o movimento está fraco", relata.

Impacto nas dívidas

Com o salário reduzido em 30% desde abril, o motorista de ônibus, Fernando Couto, de 53 anos, acumula contas atrasadas de telefone, internet e cartão de crédito. "É difícil essa situação. De uma hora para outra perdi boa parte da minha renda e tive que escolher qual conta pagar. Preferi priorizar o aluguel, a alimentação e as contas de água e luz.”, afirma.


E não é só o motorista que está passando por essa condição. A queda repentina na remuneração trouxe dificuldades para muitas pessoas manterem o pagamento de dívidas em dia. Quase metade (48%) dos porto-alegrenses deixaram de pagar alguma conta por causa dos impactos gerados pela pandemia da Covid-19.


O cartão de crédito lidera a lista de inadimplência: quase 25% dos entrevistados não conseguiram pagar a fatura no vencimento. As contas de água e luz e crediário e carnê de lojas aparecem na sequência como as principais dívidas não pagas, somando 18% e 15% respectivamente. Para Mezzari, mesmo para quem tem uma reserva financeira o momento é de incerteza. É importante ter cautela ao lidar com o dinheiro diante dessa crise. “O cartão de crédito apresenta juros elevados, então chama a atenção o fato de ser a principal conta em atraso. O ideal é sempre priorizar pagar as dívidas que geram juros mais elevados”, afirma.


Apesar da crise financeira, os consumidores estão dispostos a negociar. 97,5% dos entrevistados pagariam as contas em atraso se recebessem um desconto dos credores e 72,5% se fossem intimados pelos Cartórios de Protesto. “Essa pesquisa demonstra que há espaço para que os empresários busquem alternativas que sejam satisfatórias para ambos os lados. Os Cartórios de Protesto são mediadores efetivos na recuperação de títulos de crédito e documentos de dívida, uma vez que 3 em cada 4 dívidas são solucionadas em até 3 dias úteis no Rio Grande do Sul, através dos Cartórios”, afirma o presidente do IEPRO-RS.

SOBRE A PESQUISA:

A pesquisa “Impactos financeiros x Coronavírus” foi realizada pelo Instituto de Estudos de Cartórios de Protesto (IEPRO-RS) e entrevistou 400 pessoas na capital gaúcha, entre os dias 8 e 12 de junho.

Fale conosco

O Instituto de Estudos de Protesto do Rio Grande do Sul (IEPRO-RS), associação sem fins lucrativos, tem como objetivo congregar os profissionais dos serviços notariais do Estado, promover debates e pesquisas de interesse profissional que visem aprimorar o sistema de protesto de títulos.

contato@protestors.com.br

51 3062.0745 

Rua Comendador Caminha, nº 300

CEP: 90430-030

Moinhos de Vento | Porto Alegre 

Rio Grande do Sul - Brasil