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CORONAVÍRUS: 80% dos bares e restaurantes de Porto Alegre tiveram diminuição no faturamento

9 em cada 10 estabelecimentos foram afetados durante a pandemia


O período de isolamento social, quando bares e restaurantes não podiam abrir, atingiu em cheio o orçamento dos estabelecimentos de Porto Alegre: 80% tiveram redução no faturamento e 11% não faturaram absolutamente nada. Após a reabertura ao público, o faturamento continuou em baixa: os mesmos 80% de queda, em comparação com o período anterior à pandemia.



Os impactos financeiros causados pelo coronavírus prejudicaram a maioria dos estabelecimentos: 9 em cada 10 bares e restaurantes foram afetados. Desse grupo, quase 70% se consideraram muito afetados pela crise, conforme pesquisa realizada pelos Cartórios de Protesto do Rio Grande do Sul.


Para manter as portas abertas, os estabelecimentos tiveram que buscar alternativas. Um terço dos entrevistados sobreviveu, durante o período de isolamento social, graças a reservas financeiras que haviam poupado anteriormente. Conforme o presidente do Instituto de Estudos de Protesto do Rio Grande do Sul (IEPRO-RS), Romário Pazutti Mezzari, esse dado demonstra uma organização contábil surpreendente. “O ideal é sempre ter uma reserva de emergência. A dica vale tanto para os comércios, quanto para as pessoas, mas sabemos que muitas vezes se vive com o orçamento apertado, por isso, é tão positivo perceber que a economia feita no passado fez a diferença para salvar empresas e empregos nessa crise”, analisa Mezzari.

Caio de Santi, sócio-proprietário de um bar de cervejas, conta que o faturamento do seu estabelecimento chegou a cair 80% no período que ficou fechado para atendimento presencial e que teve que adaptar o seu negócio a outras modalidades de venda. “Nosso atendimento presencial foi proibido durante 60 dias, então trabalhamos com delivery e take away, tanto de comida quanto das nossas cervejas”, relata Santi.



Imagem: Redes Sociais 4Beer


O delivery foi a opção escolhida por 23,24% dos entrevistados para que o faturamento não caísse completamente. Já 19% optou por negociar o aluguel. “Essa é uma crise que atingiudiversos setores no mundo inteiro. Todos têm conhecimento da dificuldade financeira que se instalou na economia, por isso, negociar dívidas é um passo importante para ambos os lados: credores e devedores”, explica Mezzari.


IMPACTO NO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS


Conforme a pesquisa, a diminuição no número de clientes atingiu 82% dos locais. Essa queda no movimento dos bares e restaurantes e também nas vendas via tele-entrega trouxe impacto direto ao mercado de trabalho, sendo, muitas vezes, inviável manter o mesmo quadro de funcionários. Mais de um terço dos bares e restaurantes demitiram colaboradores neste período, o que contribuiu para o aumento do desemprego relacionado à pandemia.


O número de empregados desligados, nesse setor, pode se tornar maior: 14% dos bares e restaurantes - que ainda não demitiram - pretendem desligar funcionários, conforme a pesquisa.


De acordo com Santi, ele e o seu sócio buscaram fazer empréstimos para manter os seus compromissos e com a negativa tiveram que recorrer ao corte de jornada de trabalho e de salários, a suspensão de contratos e a demissão de alguns funcionários. “Os bancos não liberaram nenhuma linha de crédito. Só agora que estão começando a liberar. Tivemos que colocar dinheiro pessoal para manter as operações. Estamos faturando 30% do que faturávamos e, infelizmente, tivemos que demitir alguns funcionários. A maioria colocamos em redução ou suspensão”, conclui Santi.


IMPACTO NAS DÍVIDAS

47% dos bares e restaurantes de Porto Alegre deixaram de pagar alguma conta por conta dos impactos financeiros causados pela pandemia de coronavírus. As dívidas com fornecedores lideram a lista e foram citadas em 24% das respostas, seguido de contas de água e luz e impostos, com 21% e 14% respectivamente. Mais de 9% deles foram protestados pelos Cartórios de Protesto.



FUTURO INCERTO

35% dos entrevistados possui condições financeiras para sobreviver durante no máximo três meses. 5% dos bares e restaurantes sobrevivem apenas mais um mês, se o cenário se mantiver igual.

Apesar das dificuldades atuais, os empresários esperam uma melhora no segundo semestre. Quase um terço dos entrevistados acreditam na retomada da economia nos próximos meses e esperam aumentar as vendas em comparação com o período anterior à pandemia. 52% acreditam que irão manter as vendas, igualando ao faturamento registrado antes do coronavírus. “A maioria dos entrevistados está confiante na melhora do faturamento e do movimento de vendas. Acredito que tenhamos passado pela pior fase. É preciso que os empresários retomem a confiança para que a economia volte a crescer. As vendas não vão aumentar tão rápido quanto caíram, mas o impacto da crise deve diminuir nos próximos meses”, pondera Mezzari.


METODOLOGIA DA PESQUISA: As entrevistas foram realizadas em 300 bares e restaurantes de diferentes bairros de Porto Alegre, presencialmente, entre 15 e 18 de junho de 2020.


IEPRO/RS: Os 298 Cartórios de Protesto do Estado são representados pelo Instituto de Estudos de Protesto do Rio Grande do Sul (IEPRO-RS), entidade de classe sem fins lucrativos que visa promover estudos, debates e pesquisas e representar os interesses relacionados ao protesto.


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